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O HOMEM DA BANCA E OS FREQUENTADORES ASSÍDUOS

PUBLICADO EM 25/09/2018

 O HOMEM DA BANCA E OS FREQUENTADORES ASSÍDUOS

 

                                                                  José Carlos Buch

 

O banquinho anti-stress com apenas 49 cm de altura, conserva apenas resquício do seu verniz original sem, contudo, perder a resistência capaz de suportar as histórias e registros dos protagonistas que, felizmente,  ainda mantém o hábito de frequentar a mais tradicional banca da cidade,  na Rua Ceará, nº 357, onde chegou pra ficar em definitivo no ano de 1997. São leitores que cultivam o hábito da leitura, mas, mais do que isso, não abrem mão de ir pessoalmente comprar o jornal na banca e, assim, dar um bom dia ao velho jornaleiro que,   acometido por derrame hemorrágico há mais de quatro anos,  convive com sequela que o impede de se locomover normalmente, confinando-o ao local de trabalho, que é também a sua casa.  Atualmente o “Agora”,  publicação resumida(do tipo leitura rápida),  editado pela Folha de São Paulo,  é o jornal que mais vende diariamente, chegando a vinte exemplares por dia e quase cinquenta aos domingos, seguido pelo “O Regional”. Dois são os tipos de leitores-fregueses – os que além de comprar jornal e revistas, não abrem mão de usar o banquinho para um bate-bato, e os que aparecem com frequência apenas para adquirir jornal ou revistas do tipo jogo rápido. Nesse primeiro time, são titulares absolutos: Francisco Ferreira de Abreu(Franca), banespiano aposentado, que diariamente, por volta das dez horas, vem buscar o “Agora” que está sempre reservado e não abre mão de conversar sobre o cotidiano, principalmente futebol e política. Além de freguês assíduo está sempre de bem com a vida, próprio daqueles que são verdadeiros; Dr. Wilson R. Carvalho, otorrino aposentado que irradia serenidade e se mostra sempre  preocupado  com as coisas da cidade e com os rumos trilhados pelo país. Ouvi-lo é sempre oportuno e alvissareiro, embora ultimamente os problemas de saúde tenham dificultado suas visitas; Professor Tadeu Araújo, leva  jornal e deixa sempre sábios ensinamentos, como o fez a vida toda, transmitindo novos conhecimentos aos seus alunos;   Luís Carlos Morgilli, vizinho e renomado artista plástico,  aparece com frequência e sempre muito  equilibrado em suas ponderações, próprio da sensibilidade de todo artista consagrado; Dr. Antônio Celidônio Ruette, antes de perder a esposa,  Deca,  aparecia com muito maior frequência e reunia várias revistas, que  ele sabia  ela gostava de ler. Depois que ela se foi, as visitas diminuíram, mas sempre que divide um cappuccino com  o colunista e vizinho, não deixa de passar pela banca; Horário Estela Costa, sitiante de Tabapuã, não fica um domingo sequer sem aparecer para comprar jornal e revistas rurais; Cacau e Vicentinho Hernandes, seguindo a tradição dos pais Manoel e Vicente, corinthianos e agricultores, são presenças frequentes, também, normalmente,  aos domingos;  Washington Luiz Pereira, há anos, todos os domingos vem até a banca, compra o “Estadão” e permanece conversando até a chegada dos amigos, onde o papo continua por mais de horas sob a árvore,  na calçada quase em frente.  Já no segundo time, estão escalados: Ércules Domingos Simieli, que não perde um domingo sem comprar jornal, palavras cruzadas e a revista Época. Jornal e revistas são também as publicações que atraem a advogada aposentada Dra. Neide Marangoni, que aparece com frequência; Fioravante Barberato,  sinônimo de granito e mármore na cidade, semanalmente,  passa pela banca para levar as recentes revistas de palavras cruzadas, da categoria difícil, que poucos se atrevem a fazer. Ele garante,  que,  além de prazeroso passatempo, as revistas são a receita infalível para manter a mente sempre ativa. É claro que o rol de fregueses é enorme, mas o Homem da Banca, Vicente Roberto Tamarozzi, jornaleiro, que,  desde 1976 vive de vender jornais, revistas e figurinhas e assim quer ser lembrado, sabe que é impossível nominar  todos os inúmeros fregueses, alguns de muitos anos,  mas,  também,  tem certeza que  enquanto eles continuarem com o salutar e nobre hábito da leitura, as bancas continuarão a existir, ainda que,  cada vez em menor número, lamentavelmente. Recorda que chegou a ser apelidado pelo Sr. Túlio Tricca(maior contador e corretor de seguros que a cidade já teve), de  “Vicent Bank”, porque,  na época em que eram poucos os caixas eletrônicos ou mesmo sequer existiam na cidade, sua banca, então  na Rua Minas Gerais, próxima da Rua Brasil, onde funcionou de 1978 a 1989,   fazia o papel desses caixas, trocando cheques para os que precisavam de dinheiro nos finais de semana ou mesmo à noite. Profetiza que,  num futuro bastante próximo,  sobrarão poucas bancas e estas, se quiserem sobreviver, terão que agregar novos produtos,  talvez ainda sequer existentes, por entender que jornais e revistas não passarão de produtos acessórios, como são as guloseimas nos bares e lanchonetes. Quando esse dia chegar, a Banca do Vicente continuará sendo do Vicente, mas seguramente desbancada da atividade exclusiva de Banca.

(Este artigo é uma homenagem ao Vicente, mas também aos demais jornaleiros ainda existentes,  pelo dia 30 de setembro,  que é dedicado a eles).                       

           

                                                                  advogado tributário

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