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LAURINDÃO, O SORRISO SE APAGOU

PUBLICADO EM 26/06/2020

  LAURINDÃO, O SORRISO SE APAGOU

 

                                                                                  José Carlos Buch

 

Se você buscar na internet o significado do nome Laurindo, vai encontrar uma breve referência de que é derivado de Lauro, relatado no evangelho de João (11:1-46), no qual Jesus,  de passagem por Betânia, traz Lázaro(irmão de Marta),  de volta à vida depois de quatro dias de sepultamento. A notícia chegou pelo celular, inicialmente,  dando conta de que a causa tinha sido o Covid-19, que está ceifando a vida de tanta gente, principalmente os que apresentam alguma comorbidade. Depois, a segunda notícia informava que, na verdade, o câncer de próstata tinha emudecido o sorriso do segurança de eventos mais alegre da cidade. Laurindo,  fez de tudo um pouco na vida, construindo sua história com dignidade, sem preconceito e com incomparável simpatia. Na sua vida adulta, foi por muito tempo carregador de sacos de café na empresa J. Marino, uma espécie de estivador do interior, também foi porteiro de prédio de condomínio, segurança no Banco do Brasil e ultimamente porteiro de eventos, na verdade um verdadeiro recepcionista de convidados. Em todos esses trabalhos, como também fora deles, estava sempre de bem com a vida. Sorriso largo,  sempre perguntava às pessoas que encontrava como estavam os filhos e sabia os nomes de todos eles. No momento em que se discute como combater a discriminação e a questão de igualdade de direitos por conta do episódio ocorrido nos Estados Unidos com George Floyd, ele se fazia acolhido, igual  e, mais do que isso,  festivo  desde sempre,  porque a vida para ele era como estar sempre em festa. Seguramente o fato de ser negro não o fez apequenar como muitos afros ainda se sentem. Ao contrário, tal como a esclera, se fez igual, como todos devemos ser,  e mais do que isso, soube conquistar a todos com o brilho dos seus olhos. Ao partir, esse carioca de 71 anos, deixou a cidade um pouco mais triste, pois o sorriso que  contagiava a todos se apagou. Seguramente foi ao encontro das filhas,  uma, vítima de câncer e a outra, vítima de acidente, que, ainda jovens fizeram a viagem final ainda.  Lembrando Santo Agostinho, nós  continuaremos a  viver no mundo das criaturas e ele, junto às filhas, a partir de então,  no mundo do Criador.  Dizem que a morte é solitária, mas, seguramente não mais do  que a ausência e a  saudade que fica.  Muitos não puderam estar na sua despedida, mas foram infindáveis as merecidas homenagens nas redes sociais. O seu jeito brincalhão e o seu sorriso festivo e singular, permanecem na memória daqueles que tiveram o privilégio de compartilhar da sua amizade e da sua alegria. Descanse em paz amigo.

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