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ÓIA O TREM

PUBLICADO EM 10/07/2020

   ÓIA O TREM

 

 

                                                                 José Carlos Buch

 

Este artigo foi publicado originariamente em setembro de 2010, em jornal que não mais circula na cidade. Decorridos quase dez anos se mostra literalmente atual a ponto de merecer sua reprodução. Vamos a ele! – De há muito que o trem deixou de ser um veículo confortável e glamouroso de transporte de pessoas para se transformar exclusivamente no quilométrico meio de transporte de produtos, principalmente soja, milho e etanol. Os não tão jovens devem se lembrar do trem leito que muitos o chamavam de “Gilda”, que passava na estação precisamente  às 11h40 e chegava na estação da luz por volta das 7h30. As cabines asseadas eram confortáveis e o vagão refeitório tinha um serviço “à la carte” impecável, sem contar a magia e o fascínio  da viagem, com direito às bucólicas paisagens,  ao bilheteiro/picotador das passagens, ao vendedor de doces e guloseimas que circulava com um carrinho fazendo soar um sininho para chamar atenção dos passageiros  e ainda ao tradicional grito do vendedor de revistas, todos devidamente uniformizados e com quepes na cabeça. O sono era embalado pelo sacolejo, o  balouçar do vagão e o barulho suave do atrito das rodas de ferro com as emendas dos trilhos. Vez ou outra se ouvia o apito, que alertava sem incomodar, sempre antecedendo as inúmeras paradas do percurso. Era o tempo nostálgico, sem internet, sem celular e sem a velocidade do tempo dos dias de hoje. Era o tempo que deixou saudade da Viação Real que levantava poeira com os seus DC3 pousando  e decolando  diariamente no Aeroclube. Era a época que não mais volta,  da  Rodovia Washington Luis de pista simples de Limeira pra cá, e dos ônibus Cobratur, Expresso Brasileiro e Viação Cometa, esta última acabou incorporando as duas primeiras e  juntas faziam concorrência à EFA, nas viagens para e de  São Paulo. Era comum também os pais reunir os filhos e um grupo de amiguinhos destes para fazer passeio de trem até Santa Adélia, onde veículos já os aguardavam na estação para trazê-los de volta.  Havia respeito entre as pessoas e o barato era curtir a jovem guarda nas tardes de domingo, sem as chatices dos Faustãos, Gugus e outros quetais  não menos vulgares e insuportáveis. Mas, voltemos ao trem que tem importância fundamental como veículo de transporte de grãos do centro oeste para o porto de Santos. Semana passada um amigo comentou e até sugeriu escrever algo sobre o abuso e o incomodo das locomotivas da Ferroban que, não bastassem o transtorno provocado pelo comboio, formado sempre  de algumas dezenas de composições atravessando a cidade  e interrompendo o trânsito por até 30 minutos, verifica-se o abuso do apito que tem inicio antes de adentrar o perímetro urbano e persiste praticamente por todo o trajeto que corta a cidade. Que o alerta, tal qual o acionamento das cancelas são indispensáveis, ninguém discute, conquanto o que se questiona é o exagero do apito que não respeita até mesmo o silêncio da madrugada. Certamente é preciso comunicar esse desrespeito à  diretoria da Ferroban  e, caso não  proporcione o resultado esperado só resta protestar colocando cartazes em pontos estratégicos dos trilhos para que o maquinista se toque e fique sabendo que, quem gosta de apito é índio não aculturado. Os cidadãos de Catanduva gostam de silêncio, já que poluição sonora  é o que não falta!. N.R. A Ferroban atualmente se chama Rumo e o horário do programa do Gugu hoje é ocupado pela “Hora do Faro” –  o que não mudou foi a chatice!!!

(Este artigo é uma homenagem a todos os moradores das proximidades da linha férrea)

                                                

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